
VOCÊ SABIA QUE...
Há vinte anos comemora-se o dia 18 de maio como o dia da Luta Antimanicomial no Brasil. No dia 18/05/1987, na I Conferência Nacional de Saúde Mental, foi elaborado o documento final do evento, que propunha a reformulação do modelo assistencial em saúde mental e conseqüente reorganização dos serviços, privilegiando o atendimento extra-hospitalar e as equipes multiprofissionais. Na sua origem, esse movimento está ligado à Reforma Sanitária Brasileira da qual resultou a criação do Sistema Unico de Saúde - (SUS); está ligado também à experiência de desinstitucionalização da Psiquiatria desenvolvidas em Gorizia e em Trieste, na Itália, por Franco Basaglia nos anos 60.
Iniciava-se a discussão dos direitos de cidadania e da legislação em relação ao doente mental. Hoje podemos comemorar que mais da metade dos hospitais psiquiátricos do país já foram extintos e o número dos Núcleos e Centros de Atenção Psicossocial (Naps e Caps) aumenta cada vez mais.
O QUE A PSICOLOGIA TEM A VER COM ISSO?!
A luta nacional da Psicologia é por uma sociedade sem manicômios, verdadeiras prisões para portadores de sofrimento mental, violadoras dos Direitos Humanos, instituições desoladoras, que só agravam os problemas, indefinidamente. A Reforma Psiquiátrica deseja a interação cotidiana entre a loucura e a sociedade, demonstrando que a cidadania é um direito de todos.
Na luta diária por uma sociedade sem manicômios, muitos são os obstáculos e muitas são as resistências a enfrentar. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) defende a completa substituição do modelo manicomial pelo tratamento em liberdade e a perspectiva da participação social. Para tanto, apóia a Lei da Reforma Psiquiátrica (nº 10.216/2001) e luta pela efetiva implementação dessa política, que exige a transformação de muitas outras políticas e que convoca a sociedade ao olhar e à ação solidária em nome da possibilidade da garantia da igualdade na diversidade.
Nós, membros do CALPSI, consideramos que a Saúde Mental deve caminhar sempre em conjunto com os Direitos Humanos, de forma a garantir assistência em liberdade aos usuários das instituições por meio da Luta Antimanicomial e de práticas no contexto da humanização de saúde.